Medal of Honor:
Allied Assault
Game,
que mostra que o PC ainda pode produzir títulos de altíssima
qualidade, é o melhor jogo de tiro em primeira pessoa de
todos os tempos
Distribuidor: Electronic
Arts
Programador: 2015
Categoria: Tiro em primeira pessoa
Plataforma: PC
Data do review: 10/01/2002
Autor do review: Reinaldo
Normand - Outer Space
Requisitos mínimos
Pentium II 450
128 MB RAM
Windows 95/98/Me/XP
DirectX 8
Placa 3D com 16 MB
Medal
of Honor, quem diria, iniciou sua vida no velho hardware
do PlayStation, em 1999. Sua jogabilidade, som e ambientação
eram espetaculares, e apenas os gráficos ficavam devendo
realismo. A continuação Medal of Honor: Underground saiu
no final de 2000 também para o PSX, e foi ainda melhor que
o original.
Ambos
os episódios, programados pela Dreamworks Interactive, mostraram
a EA que esta era uma franquia que viria para ficar. Não
demorou muito para a distribuidora perceber que um jogo
de tiro deste calibre seria ideal se lançado para o PC.
Para a tarefa de produzir um novo episódio à altura dos
jogos anteriores, foi escalada a produtora 2015, cujos trabalhos
anteriores, como a expansão de Sin, Wages of Sin, eram pouco
conhecidos pelo público. E por incrível que pareça, a pouco
acreditada 2015 repetiu o fenômeno Half Life, criando um
jogo excepcional e com muita atenção à qualidade em geral,
como há muito não se via no PC.
Ao
contrário da maioria dos seus concorrentes do gênero, MOHAA
é um jogo 100% realista, que recria os cenários, armas e
principalmente o clima da Segunda Guerra Mundial. Não há
aqui nenhum rifle de plasma, alienígenas ou localidades
ambientadas fora do planeta Terra. Você não é uma superarma
da engenharia genética ou fruto dos últimos avanços da tecnologia,
e sim o tenente Mike Powell, um oficial do 1º Batalhão Ranger
dos EUA, que é requisitado para missões na Europa e África
pelo Escritório de Serviços Estratégicos do governo americano.
À
sua disposição, estão inclusas instruções detalhadas, mapas
e objetivos bem claros definidos pelo serviço de inteligência,
cruciais para o sucesso na empreitada dos aliados em acabar
com o III Reich. É interessante destacar que as missões
foram baseadas em cenários e fatos reais da 2ª Guerra, como
o Dia "D" e a invasão das praias francesas. São seis grandes
campanhas em localidades diferentes, divididas em várias
sub-missões. As armas disponíveis são as autênticas utilizadas
em 1939-1945, como a pistola Colt 45, o rifle semi-automático
M1 Garand, sub-metralhadoras Thompson e MP40, o rifle automático
BAR, o fantástico Springfield '03 Sniper (popularizado pela
cena dos atiradores de precisão no filme O Resgate do Soldado
Ryan), escopeta, granadas de fragmentação Mark II e até
mesmo uma "Bazooka". No decorrer do jogo, você terá acesso
às versões nazistas de armas semelhantes, metralhadoras
fixas, e até mesmo do novíssimo rifle StG 44, um protótipo
na época.
Tudo
foi meticulosamente pesquisado e reconstituído pelo time
da 2015;desde as armas e veículos, passando pelo uniforme
dos soldados e equipamentos, até o visual e funcionamento
das instalações militares nazistas e cidades destruídas
na época (como o devastado Sul da França). Se você entender
alemão, ainda poderá contemplar as conversas dos sisudos
soldados a serviço de Hitler e seu império do mal. E cá
entre nós, fazer um jogo inspirado na realidade é muito
mais difícil e complexo do que bolar uma ficção com monstros,
lugares inóspitos e história para boi dormir. E nesse ponto,
MOHAA tem o seu mérito incontestável, por acontecer durante
um conflito histórico de imensas e conhecidas proporções.
Medal
of Honor: Allied Assault é um jogo de tiro bem menos frenético
do que estamos acostumados a ver. Não é um Serious Sam,
Halo ou Quake III, onde você tem como objetivo atirar em
tudo o que vê pela frente. Embora o esquema de controle
seja idêntico (teclas para andar e mudar de armas e mouse
para olhar livremente o cenário), seu personagem não se
move tão rapidamente; afinal de contas, ele é um soldado
humano apenas. Cada arma é indicada para um tipo de situação
distinta e há, até certo ponto, uma estratégia para se conseguir
passar incólume nas missões e alcançar seus objetivos.
Em
algumas fases, por exemplo, você tem que se esconder em
algum lugar e ficar procurando pelo cenário de onde está
vindo o fogo inimigo. Não adianta sair andando à torto e
a direito, pois certamente você vai levar uma bala de rifle
na cabeça. Em outras, o negócio é andar rápido e abaixado
para não ser atingido, ou se esconder atrás de objetos no
cenário. Outras missões requerem o plantio de bombas e a
chamada da artilharia aérea para destruir determinado objetivo.
E, é claro, sempre há várias situações de mata-mata, onde
os reflexos rápidos é que determinam que sobrevive.
O
interessante de MOHAA é sentir que o jogo foi muito bem
balanceado pela 2015: ao mesmo tempo que ele é intenso,
também dá tempo para pensar o que fazer e como sair de determinadas
situações. Uma eficiente bússola no alto da tela lhe guia
para o seu próximo objetivo (que pode ser visualizado apertando
a tecla TAB), evitando aquelas famosas excursões inúteis
e sacais pelo gigantesco cenário.
Outro
ponto que não pode deixar de ser citado em MOHAA é a inteligência
artificial dos inimigos. Se nos primeiros jogos do PlayStation
ela já era ótima, no PC ficou ainda melhor. Os inimigos
não são bobões e ficam esperando para serem fuzilados por
você. Eles se escondem, esquivam, mudam de posição constantemente,
abrem portas, ficam esperando o momento certo para atacar,
correm, fogem, mandam granadas de volta para ti e até mesmo
se jogam em cima delas para salvar o resto dos simpatizantes
de Hitler. Muito já se falou sobre a IA de vários clássicos
lançados no mercado, mas é raro existir um jogo em que realmente
dê para reparar o quão bem feita é a reação dos inimigos.
Mais uma vez, a 2015 acertou no alvo.
Ah, e quase
ia me esquecendo de falar que você tem companhia aliada
em muitas das missões em MOHAA. Ora você dá ordens ao seu
esquadrão, ora você é comandado. Mais uma vez, os "scripts"
de inteligência artificial funcionam perfeitamente, dando
realismo extremo ao jogo. É muito bacana ver os soldados
atirando no inimigo, se escondendo, pedindo por ajuda, gritando,
tomando um frasco de "health", etc. A famosa cena da praia
de Omaha mostrada nos primeiros 30 minutos do Resgate do
Soldado Ryan, por exemplo, foi recriada com maestria neste
jogo. Rumores dizem que o próprio Steven Spielberg deu palpites
para que os programadores a fizessem o mais realista possível.
O resultado é espetacular, uma espécie de filme interativo
na tela do seu PC.
Os
efeitos sonoros, geralmente relegados a segundo plano pelas
produtoras, tiveram uma atenção especial neste Medal of
Honor (assim como nos jogos do PSX). Vale a pena exaltar
a exatidão histórica e sonora dos tiros das armas da década
de 40, simplesmente soberbos.
MOHAA reúne e mescla os melhores sons já feitos para um
jogo de PC: aviões voam e jogam bombas, tanques avançam
sobre suas posições, soldados inimigos fogem de suas granadas
gritando em desespero, o barulho da chuva e dos trovões
é realista, as vozes das conversas entre os aliados e/ou
nazistas são perfeitamente representadas e cada ambiente
tem seu som de fundo para criar suspense. O detalhe mais
importante é que, com uma simples Soundblaster 128, seus
ouvidos têm acesso ao que há de melhor na reprodução digital
da sonoridade de uma guerra.
Já
falamos de quase tudo que este Medal of Honor oferece, mas
não podemos esquecer dos seus gráficos, que na opinião consensual
de Outer Space, é o ponto que levanta mais polêmicas. Como
todos já devem saber a esta altura do campeonato, MOHAA
utiliza o velho e poderoso "engine" de Quake III, desenvolvido
em 1998 para o jogo homônimo da iD Software, lançado em
1999. É claro que a 2015 deu um grande "upgrade" em sua
estrutura, mas para bom entendedor, ele continua sendo o
velho e poderoso "engine" de Quake III, com os seus prós
e contras. É incrível o que esta tecnologia pode fazer,
se bem utilizada e programada. No caso de Medal of Honor,
o "engine" permitiu cortar o tempo de desenvolvimento do
jogo, com os desenvolvedores focando principalmente em sua
jogabilidade e no design dos cenários.
Mais
uma vez, fomos surpreendidos pela competência da 2015 ao
recriar o front de guerra. O sul da França, por exemplo,
totalmente em ruínas, é simplesmente maravilhoso. O visual
é de sumir de vista, com cenários amplos e detalhados, com
construções muito bem modeladas. Cortinas tremulam no vento,
janelas batem, árvores balançam, e o suave efeito de chuva
lhe deixa totalmente imerso no clima de Medal of Honor.
Há ainda aviões que sobrevoam o local, jogam bombas e explodem
tudo no seu caminho, enquanto o tiroteio continua.
O
grande problema é que, em se tratando de PC, toda esta apoteose
gráfica tem um preço. E que preço! Para se ter uma idéia,
MOHAA rodando em resolução baixa (de 512 X 484) não fica
dos mais bonitos rodando em um processador de 750 Mhz, com
Voodoo 3 e 256 MB de RAM. A taxa de quadros por segundo,
com os efeitos no máximo, oscila entre 20 e 25 FPS, e em
algumas horas cai para míseros 10!
O jeito
então é saboreá-lo em toda sua plenitude utilizando um processador
acima de 1 GHz, acompanhado, de preferência, de uma GeForce
3 ou Radeon e dos mesmos 256 MB, para se ver o quão belo
este jogo é (embora o jogo rode, com poucos detalhes, até
num PC modesto, de uns 400 MHz) . Outro defeito gráfico,
este sim, que não tem desculpa, é a falta de interação com
alguns objetos simples do cenário. Não se consegue destruir
uma simples luz, ou atirar e quebrar um rádio das antigas.
Por que? A impressão que temos é que o "engine" de Quake
III não dá conta de recriar um ambiente tão rico e detalhado
como pensaram os programadores da 2015 inicialmente.
Se
Medal of Honor: Allied Assault é um excepcional jogo "single
player", o mesmo podemos dizer de sua arquitetura "multiplayer".
Há quatro tipos de jogo: mata-mata, times (aliados X nazistas),
times em turnos (só depois que o último companheiro morre
é que você reaparece no cenário) e missões em times (uma
espécie de rouba-bandeira com objetivos, como destruir o
V2 Rocket ou se infiltrar na praia de Omaha).
Até
32 pessoas podem jogar via rede, pelo sistema Gamespy Arcade
ou até mesmo por conexão direta via IP (que em banda larga,
fica perfeita). Os combates são muito mais cadenciados e
estratégicos do que nos jogos onde o "frenesi" é o que move
os jogadores. São 12 mapas, alguns grandes, mas a maioria
é constituída por médios e pequenos lugares. Medal of Honor:
Allied Assault é uma grata surpresa, que mostra que o PC
ainda pode produzir jogos de altíssima qualidade. Apesar
de não ter nada de revolucionário, MOHAA foi brilhantemente
executado, misturando ação, realismo, estratégia, diversão
e imersão na medida certa. É o melhor jogo de tiro em primeira
pessoa de todos os tempos.
Prós:
+ Gráficos lindos, com um computador parrudo;
+ Missões muito bem delineadas e implementadas;
+ Jogabilidade viciante, não cansa;
+ As armas são fabulosas;
+ O som é uma coisa do outro mundo;
+ Interação com o cenário e veículos;
+ Inteligência artificial de primeira;
+ Belo modo multiplayer;
+ Segunda Guerra ainda é fascinante.
Contras:
- Jogo fica feio e lento em computadores mais modestos;
- O "engine" de Quake III não é o ideal para tantos detalhes;
- Poderia ter um modo cooperativo de fábrica (só via add-on
independente);
- Fica com gostinho de quero mais quando acaba.
Fonte:
OuterSpace
e Clãn
Frangus Atiradoes